Eu e a dança…


Há muito tempo venho refletindo sobre o que realmente me faz feliz na dança e só agora consegui vislumbrar uma pequena centelha deste fogo que me arde.

O que me move não está no meio em que ela habita, mas na forma como ela me preenche, conecta, inspira, transforma e liberta. A dança sempre me terá, porque ela está em mim e não consigo viver sem a sua agradável presença. Mas eu não me sinto mais obrigada a estar em todos os eventos do planeta, só estarei se eles realmente fizerem diferença na minha vida. Se for importante para o meu coração, e se Deus quiser, estarei dentro!

Confesso, que diante deste meu longo retiro, perdi alguns acontecimentos memoráveis como a vinda de Daria Mitskevichitz e Fifi Abdo ao Brasil… ah, esses sim me trariam mais cor e alegria. Mas esperarei tranquilamente por outros que me causem mesmo contentamento e me despertem tamanho desejo.

Para as pessoas que sentem a minha falta nos palcos, não sintam! Saibam que quando me virem, estarei por inteiro e trazendo o melhor dessa minha busca e aprimoramento pessoal. Ainda serei uma facilitadora da nossa arte, compartilhando ideias, estudos e afins. Eterna professora e amiga da dança. Mas me isento da responsabilidade de marcar presença em todos os lugares, porque tem de haver sintonia e fazer sentido pra mim! Raks Albi-Ma-Ic ❤

eu e a dança foto

Danço para me sentir livre e não para me aprisionar.

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Estudo: Leitura Musical Minimalista

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Este estudo foi inspirado no meu questionamento de sempre: O que faz uma bailarina atingir a sua totalidade na dança? E cheguei a conclusão que a resposta tem muito mais a ver com escolhas felizes do que com técnica propriamente dita. Mas do que isso, qualidade e não quantidade de repertório. Porque quantidade com qualidade só se adquire com um longo tempo, mas a sensibilidade da bailarina, a forma como ela lê cada nota, pode ser percebida, testada e exercitada assim que ela escolhe uma peça para interpretar. E essa relação é que pode fazer toda a diferença.

E a partir deste pensamento, entendo que se estudarmos a leitura da música mais a fundo, com os códigos que o nosso corpo já tem, daremos mais atenção aos sabores e possibilidades que a canção nos traz. Ouvir as entrelinhas, criar livremente através do que nos toca na música, do que faz tum, tum, tum no nosso coração. Essa fidelidade é que fará com que o público te sinta e a troca aconteça.

A sugestão então é aprimorar os movimentos que já temos internalizados no corpo e fazer deles um instrumento precioso de trabalho. Depois disso conhecer a fundo a música de estudo, para através dela mapear a nossa leitura musical com foco nos detalhes… o que chamaremos, enfim, de Leitura Musical Minimalista. O que quero ler nesta estrofe? A melodia, a percussão, a voz, o floreio? Se a frase se repete, será que ela se repete de forma idêntica? Ainda assim, posso lê-la de forma diferente? Existe um momento dramático. Posso montar uma cena, atravessar frases, criar um momento lúdico? Se a música acelera, eu tenho sempre que deslocar, porquê? Ainda falando de aceleração, como faço para manter a tranquilidade em cena? Posso dentro da mesma frase, mudar o plano e a velocidade?

São muitas as perguntas e elas são o segredo deste estudo. As respostas surgem muito claramente das nossas sensações e vontades. Boas perguntas sempre darão boas respostas! De brinde ainda ganhamos um trabalho maravilhoso de respiração, fruto deste processo que desenvolve também a nossa audição seletiva. Fora a garantia da internalização real dos movimentos, esgotando todas as suas possibilidades de variações e caminhos a percorrer. Prezando sempre por uma bela plástica e limpeza técnica.  E a partir da continuidade e exercício do estudo minimalista, mais códigos serão acumulados e mais sensível será a sua dança.

Beijos singelos! \o/

Desenvolvendo o seu Estilo Pessoal


É com muita alegria que venho falar deste trabalho maravilhoso que iniciei, efetivamente, em Janeiro desse ano…

A princípio, pensei apenas em compartilhar as minhas experiências como bailarina, professora e estudante de Dança Árabe com foco na cena. Mas, na prática, percebi que vai muito além disso… é uma troca constante, muita sensibildade envolvida, um cuidado absurdo com o outro e uma vontade enorme de ver lapidado um corpo que deseja desenvolver-se melhor e dançar com mais verdade.

Senti que questionamentos simples sobre onde se quer chegar, se transformam em profundas reflexões acerca da dança e do seu papel dentro dela. O que te move? O que está por trás dos seus desejos como bailarina (o)? O quanto a sua personalidade influencia a sua dança? E as respostas para estas perguntas podem ser muito mais complexas do que se imagina, e estamos falando apenas do ponto de partida! Do primeiro passo de um processo longo, mas extremamente satisfatório. Um caminho viável para se chegar no objetivo proposto e revelar-se!

Num tempo em que os workshops fervilham e trazem muita informação, a dificuldade está, justamente, em fazer as escolhas certas. Estudar o que, de fato, te conduzirá ao desenvolvimento e aprimoramento do seu estilo pessoal. E o papel da consultoria, é traçar o seu perfil como artista para que suas escolhas sejam mais precisas e eficientes.

R$350

Com vocês, Jaciara Taksim! Bailarina, professora e facilitadora de Dança do Ventre na cidade de Itabuna, falando um pouco de como foi participar deste processo. Em seguida, o vídeo que finaliza o nosso trabalho e revela, por fim, o seu perfil como bailarina.

 Quando fiquei sabendo da consultoria, me identifiquei na hora… era tudo o que eu queria! E assim começou a minha “análise psicológica”, praticamente  um sussurro do coração, foi revelador. Aí veio a escolha de repertório, onde eu descobri que nem tudo que eu gostava de ouvir me servia como música de trabalho, rsrsrrsr. Depois veio a hora de entender de música  para trabalhar a minha musicalidade. O que eu queria dessde o inicio, um direcionamento!  As últimas etapas, construção de coreografia e considerações finais, foram mais demoradas, mas valeu cada hora de estudo. No fim estava em êxtase, feliz e satisfeita com os resultados e com muita vontade de continuar nessa linha de trabalho. OBRIGADA, PROFESSORA LIS!

Jaciara

 

 

Beijos muito satisfeitos! \o/

 

Vídeo

A arte de Maria Lis!


Cá estou em território itabunense, nessa terra quente, no clima e na gente! Quando cai a noite vem uma brisa fria, boa por demais! O jeito é ficar agarradinho e não desgrudar mais.

Dizem que as meninas daqui tem uma brejeirice danada, gosto de cravo e canela, assim como Gabriela. Isso porque estamos diante do berço do grande poeta e escritor Jorge (tão) Amado!

jorge amado 1Sou itabunense, ou seja, sou um grapiúna da região do cacau. Mas Ilhéus também é minha ci­dade no sentido de que é o lugar on­de eu vivi a minha infância – a in­fância, um tempo muito importante na vida da gente.

Tudo aqui é sugestivo por demais, num sabe? Na comida, no falar e na vontade que dá! Tem moço e tem moça bonita pra lá e pra cá. E perto das “Terras do Sem-Fim” faço minha morada. Cheia de prosa e verso (e fazendo arte, de certo!), em Itabuna lanço a minha marca…

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A ideia surgiu da minha paixão por bolsas e gosto por trabalhos manuais, detalhes e cores. Senti, enquanto artista, uma vontade danada de enveredar por novos caminhos e eis que eles me levaram ao passado…

Minha mãe sempre foi uma artesã de mão cheia e me ensinou, com muito perfeccionismo, a trabalhar com as mãos e a gostar de artesanato. Fora isso, fiz cursos técnicos de desenho de moda, modelagem e confecção de vestuário. Isso fez tanto parte da minha vida que, sem perceber, passei a ver tudo através destas lentes.

Acabei trazendo também esse gosto para a dança, desenhando os figurinos dos meus espetáculos e tendo uma visão bem minimalista das coisas. Combinando técnica, sentimento e indumentária para ter uma peça completa. Adoro sentir a arte em sua totalidade, seja ela qual for! Gosto quando ela passa uma mensagem bacana e toca cada um de uma maneira. A arte que inspira, provoca, transforma…

E o nome Maria Lis? Nada mais é do que o resgate de parte da adolescência de uma carioca saudosa, de quando ouvia a mãe dizendo: – Faz isso direito, Lis Maria!, e o encontro com a artista de hoje, baianíssima de coração. E assim os nomes se inverteram e a arte, mais uma vez, se reinventou. Com uma mulher cheia de novas experiências para agregar, mas com o mesmo entusiasmo da menina de outrora.                                                                                          

Beeeijos pespontados \o/

Os ciclos da vida…


Nunca vou me esquecer o que senti quando olhei pela janela do avião e vi aquela vegetação linda, terras ainda não visitadas e uma vontade louca de conhece-las! Estava chegando em Ilhéus e, quase sem sentir, disse ao meu marido, eu adoraria morar aqui! E ele me disse: – Jura, você moraria no interior? E eu respondi: Com prazer! E quando olhei para o meu filho, ele me sorriu e me fez completar a frase: Acho que Maximus também gostou da idéia! Rs. E sem saber, naquele momento enviamos uma mensagem ao universo, que prontamente tratou de fazer a sua parte. E antes que retornássemos à Salvador, Fabrício recebeu uma ótima proposta para  trabalhar em Itabuna e ali deu-se início a um grande processo de transformação, uma linda metamorfose… Só pensávamos no futuro, de como seria a nova vida, com muito mais qualidade, mais oportunidades, tranquilidade para criar o nosso filho e um enorme contentamento tomou conta de nós.

Mas alguma coisa ainda apertava o meu coração e logo me dei conta do que era… E minhas meninas, meu atelier de dança e a dança da minha vida, como ficaria? Foi aí que tive uma inspiração maravilhosa e tudo começava a fazer sentido novamente… Naquele momento, Mila, minha querida amiga e uma das minhas primeiras alunas, já dava aulas para uma turma regular no Razi Saloon e vinha demonstrando uma enorme paixão e total habilidade para este ofício. Ela se revelou, em muito pouco tempo, uma professora maravilhosa! Estudiosa, competente e muito atenciosa com as suas alunas – que logo demonstraram total afinidade e respeito pela sua orientadora. Foi aí que pensei: – Nossa! Seria fantástico ter Mila como coordenadora do Razi!

O incrível é que em nenhum momento pensei que ela poderia não aceitar o convite e na primeira oportunidade que tive, expus para ela tudo que ia em meu coração! A princípio foi aquele susto e ela demorou um pouco para digerir todas aquelas informações, tão novas e inesperadas, mas depois de pensar bastante ela me disse: – Ainda não consigo te ver longe, ainda não estou preparada para a sua ida, mas vou tentar assumir a missão que você me confiou com todo amor e responsabilidade! Choramos muito, ficamos abraçadas por um bom tempo e estava selado ali um acordo entre irmãs, parceiras dessa e de outras vidas!

Ela então conversou com Lais, afinal elas começaram na dança juntas, e percebeu que unidas, poderiam dar continuidade ao trabalho de uma forma muito mais eficiente e sem prejudicar os projetos individuais de cada uma! Camila e Lais são extremamente complementares em tudo, tanto na forma de dançar quanto na forma de ver a vida, por isso vibrei de felicidade e tive ainda mais certeza que tudo daria certo! E no dia 05/10/ 13 elas organizaram um evento em minha homenagem e brindamos juntas o início de um novo ciclo pra mim e pra elas!

mural layla

E foi nessa energia maravilhosa que me despedi de Salvador, sabendo que aonde quer que eu esteja terei sempre um lindo jardim de flores, muito bem regadas e cheias de cor, para admirar e para sempre me orgulhar!

E para as flores do meu jardim, dediquei esta dança…

Foi tudo por vocês e para vocês! Dançar uma música que fala de amor sempre me emociona, mas essa, em especial, fala das mil faces deste sentimento que transborda em nossos corações. Face de Narciso nos faz parar para pensar que tudo tem dois lados e que eles podem até  ser complementares, fala da realidade, do ser humano, das suas qualidades e limitações, muito nós. Por isso me entreguei totalmente a esta poesia e dancei da maneira mais transparente que pude, para tentar expressá-la da forma mais sentida possível… Muito eu, rs.

Beeeijos sempre saudosos \o/

Um Projeto de Sucesso!


Aconteceu no dia 21 de Setembro o espetáculo que me fez sentir a bailarina mais realizada desse mundo. Eu tinha um objetivo muito simples com este projeto, o de informar pessoas sobre a nossa arte, e consegui! Ouvi de homens e mulheres, de dentro e fora do meio, coisas incríveis, e tive a certeza de que o caminho é esse – informação! Comecei disponibilizando um resumo do meu estudo aqui no blog, dividido em dez capítulos, e com este material montei um vídeo aula que veio a ser o roteiro deste grande espetáculo. Pensei em cada figurino, nos mínimos detalhes, montei coregrafias de época, reproduzi peças originais de Mahmoud Reda e Mona Said, tudo para que o público fizesse uma linda viagem no tempo. Com a ajuda da amiga e jornalista Roberta Neri, consegui trazer uma narração profissional em forma de documentário, que deu o tom perfeito ao evento, na voz da radialista Patrícia Tosta. Para a família Razi Saloon, o Zaghareet 2013 foi um “divisor de águas”, pois cada aluna pode interpretar uma parte da história da nossa dança e ter uma outra visão sobre ela. Fizeram um estudo aprofundado sobre cada época e treinaram várias vezes, trejeitos, cabelo, maquiagem e o resultado foi esse…

Anos 20 e 30: Badia, Cabaret, Beba & Troupe.1

Anos 40: Taheya, Carmens, Farid, Samia &Tango.2

Anos 50: Naima, Zaar & Nadia.3

Anos 60: Nagwa, Suheir & Tributo à Om Kalsoum.4

Anos 70: Troupe Reda, Mona & Azza.5

Dos anos 80 até hoje: Fif, Lucy, Jade & Lis. 6Fotografia: Alexsandro Silva/ Edição de fotos: Lory Moreira.

Mensagem das grandes estrelas para o público:

Que o nosso legado perdure por muitas e muitas gerações. Que onde houver Dança do Leste, nós sejamos lembradas. Para que na nossa arte nunca falte: amor, poesia, glamour e, acima de tudo, respeito!529401_4285190848989_132034566_n

Aos amigos, parceiros, alunas, familiares e bailarinas convidadas, que me ajudaram a tornar este sonho realidade, gratidão e muita luz!

Agora sim

E assim eu me despeço de Salvador levando esta arte nos quadris e para sempre no meu coração.

Beijos realizados \o/

Para uma irmã espiritual!


Tinha tanta coisa pra te dizer… Uma delas é que jamais vou esquecer do seu telefonema. Mesmo sem ter ouvido a sua voz, a sua mensagem foi passada e senti a sua verdade em despedida. A sua alma nobre me tocou sobremaneira que o seu sorriso irradiou o meu pensamento e me fez te rever. Me lembrei da mulher fora de série ali, diante de mim, e me dei conta das minhas limitações. Meu Deus, ainda tenho um longo caminho pela frente!

Com toda a sua nobreza e generosidade você me fez abrir o coração e aprender mais uma lição, e eu te prometo: Toda vez que eu beijar o meu filho no dia 12 de Outubro, eu me lembrarei de você e das suas palavras sobre perdão, família e destino. Que os nossos amigos espirituais te recebam em festa!

Hoje, às 15h30, foi velada e retorna ao plano espiritual uma alma linda, iluminada, que cumpriu brilhantemente a sua missão aqui na terra. Patrícia Resende de Jesus, eu te admirarei para sempre! E se um dia eu tiver oportunidade, te darei um abraço bem apertado e te contarei o quanto você mudou a minha vida. Você viu além dos meus olhos e me trouxe PAZ! Siga com a certeza de que aonde quer que esteja tens aqui uma pessoa que lhe quer bem demais e nutre por você um carinho que ultrapassa qualquer barreira.

Céus!
Conheci os céus
Pelos olhos seus
Véu de contemplação…

Deus!
Condenado eu fui
A forjar o amor
No aço do rancor
E a transpor as leis
Mesquinhas dos mortais…

Coisa pequenina
Centelha divina
Renasceu das cinzas
Onde foi ruína
Pássaro ferido
Hoje é paraíso…

Fênix (Jorge Vercillo)

Beeeijos de luz!

golfinhos (1)

A mulher por trás da bailarina…


Me considero uma mulher forte, sim, mas muito humana também. Tento encarar os meus medos de frente e ser muito fiel aos meus instintos, mas isso não quer dizer que não tenha os meus momentos de fragilidade – eles existem e às vezes tem longas fases, mas eu não tento e nem quero escondê-los ou mascará-los.

Me incomoda muito aquele estereótipo de mulher perfeita e inatingível, ele geralmente macula uma mulher cheia melindres e vaidades que só me remete aquela música de Zélia Duncan… “Quem se diz muito perfeito, na certa encontrou um jeito insosso pra não ser de carne e osso, pra NÃO SER…” – Pois é, muito distante do que eu quero pra mim.

A verdade é que como boa leonina, tive que aprender “a duras penas” que vaidade em excesso bloqueia o nosso processo criativo e o nosso crescimento, porque só vê a si. Já a humildade é sábia, amplia os nossos horizontes por nunca ser dela a verdade absoluta. Ela nos faz generosos e muito ricos em conhecimento quando aprendemos a compartilhar e se felicitar com as descobertas do outro. Depois que aprendi isso, nossa!, tenho sido muito mais feliz, competente e realizada.

Existem vários tipos de realização, mas a melhor delas é aquela que você não precisa contar a ninguém para que ela seja notada, porque ela está no brilho dos olhos, no sorriso e nos pequenos gestos.

Meu norte, meu tudo!

Tenho sorte, tenho muita sorte! Pois a medida que evolui como pessoa, tudo a minha volta ganhou forma e sentido. Todos que me cercam me fazem feliz e a felicidade deles também é importante pra mim! É tudo uma questão de se afinar com gente boa, que te faça rir “na alegria e na tristeza” e esteja presente “na saúde e na doença”. Chega de falso coleguismo, falso moralismo e palavras tolas que só convencem os teleguiados, incapazes de qualquer questionamento. Não quero convencer ninguém a nada, quero sentir e fazer sentir, isso pra mim é real, é de verdade. E quero também poder dizer que não estou afim disso ou daquilo e ter o meu momento respeitado, do mesmo modo que tento ser benevolente com as chatices e enjoos dos MEUS (é, porque ainda não estou tão evoluída assim, para generalizar, rs).

Toda esta reflexão mapeia quem eu sou hoje, a mulher por trás da bailarina…

Passei anos da minha vida procurando a felicidade em ambientes externos e só hoje percebo que ela está em mim, nos pequenos momentos que construo ao lado da minha família, dos meus amigos, das minhas alunas e público querido. Não almejo mais tantos títulos, os que eu tenho já me são suficientes e marcam uma fase importante da minha vida. Hoje quero apenas ser reconhecida pelo meu trabalho e estar sempre em busca de mais e mais conhecimento, porque descobri que é isso que me move. Não preciso estar em evidência, não é mais isso que eu procuro. Mas onde eu estiver estarei realizando um trabalho de qualidade e em aperfeiçoamento constante – moral, emocional, espiritual e profissional. Mudei muito os meus objetivos frente a vida, frente a dança e fiz um acordo com o meu coração, não faço nada sem o seu consentimento. Então se ele se animar e bater bem forte, pode contar comigo!

Beeeijos translúcidos \o/

O que me toca numa dança?


Tenho paixão pelo lúdico e por tudo que flui naturalmente… E isso independe de modalidade, se a dança é coreografada ou improvisada. Gosto de sentir a verdade de  cada gesto, a respiração do corpo e a entrega. Gosto da junção de tudo isso e gosto de me surpreender com essas construções, que não necessariamente precisam ser muito rebuscadas, mas que sejam totais em movimento e expressão! 

Penso que muitas vezes o erro pode fazer parte do acerto, ou viabilizar outras possibilidades de leitura e sincronicidade. Desde que tenhamos uma boa postura, respiração adequada e algum conhecimento sobre tônus muscular, o céu é o limite para as possibilidades de desenhos do corpo que dança. Acredito que todo corpo que tem contato com dança é capaz de fluir e percorrer lindas trajetórias se bem dirigidos, cada um dentro do seu repertório de passos, seja ele com 10 meses ou 10 anos de experiência.

Estudo dança árabe há 12 anos e com apenas 6 meses em contato com a dança contemporânea pude perceber o meu corpo sendo capaz de criar novas perspectivas, ampliando os meus horizontes e modificando a minha forma de ensinar dança do ventre.

Dedico este post às minhas alunas! Que se desprendem de tudo toda aula e embarcam comigo nesta viagem sem fim em busca da totalidade – que nada mais é do que se mover, sentir e fazer sentir.

Uma lição trazida da dança contemporânea e adaptada para a nossa arte em mais uma tentativa de explorar o corpo e despertar sensações, percorrer os mesmos caminhos sob um novo olhar, mais curioso e motivado, onde um mesmo movimento pode sofrer influência de aceleração, intensidade e lugar no espaço e ainda ser executado de forma fracionada e costurado a outro ou experimentado ao mesmo tempo que outro, formando uma linda colcha de retalhos que transforma as linhas básicas em combinações inusitadas e exclusivas. 

Dando forma as minhas palavras, apresento a vocês a pessoa que mudou a minha forma de sentir a dança – Mia Michaels! Este vídeo é o making of de um ensaio fotográfico de Mia e seus dançarinos para a revista Dance Spirit’s de Jan/ 2013, só isso já motivaria o meu clique! Mas quando li “incluindo improvisação de tirar o fôlego…” parei tudo o que estava fazendo para assistir e me emocionar mais uma vez. Saudações contemporâneas \o/

 

Apreciando o estilo Tribal Fusion uma interpretação da bailarina Irina numa performance tão “respirada”, tão fluída que me acalantou o coração…

 

E de volta ao nosso universo bellydance, um duo com Aziza e Nesrine. Eu assisti a esta linda coreografia ao vivo, foi de arrepiar! Movimentos com uma plástica invejável, cheios de sincronia e expressividade.

 

E para deixar vocês ainda mais motivadas, um solo da bailarina Mahaila el Helwa com todos os elementos que citei lá em cima, tonicidade, fração, mudanças de aceleração, intenção e muito sentimento. Aproveito estas linhas para agradecê-la, por compartilhar a sua metodologia de ensino que tem sido de grande valia para mim e para as minhas alunas, em muito pouco tempo ganhamos quadris muito mais precisos e eficientes. Obrigada, Mahaila!

 

Beeeijos enternecidos \o/

Egito – A Era de Ouro (Parte 10)


Fecharemos a nossa história com a bailarina Lucy, a mais contemporânea de todas elas, ao lado de Fifi Abdo. Temos aí duas bailarinas de personalidade forte, voz e quadris bem ativos (uma briga boa, rs)! Porque até hoje elas se fazem presentes no mundo bellydance e por onde passam deixam o seu recado. São consideradas parte do legado da golden age, por serem a última geração de bailarinas com muitas experiências trazidas de lá…

Apesar da importância de Lucy para a Raks, pouca informação temos sobre o seu passado. O que sabemos é que ela nasceu no Cairo antigo, perto da Rua Mohamed Ali, e cresceu ouvindo as músicas de Om Kalsoum e o folclore do seu povo. Foi assunto de um documentário nacional em 91 e hoje é dona do Parisiana, um nightclub localizado em Giza, distrito do Cairo, perto das pirâmides. Lá ela recebe turistas do mundo todo, sendo a atração mais esperada da noite. Ela adora dançar e é muito popular entre os egípcios. Eles dizem que não há como ir ao Egito e não assistir a uma de suas performances.

Segundo o site Albawaba, Lucy se casou aos 16 anos e vive com o mesmo marido até hoje. Para a estrela, a dança não é e nunca será pecado! É uma profissão como qualquer outra e ela não está cometendo nenhum crime. Ela considera 99,9% das bailarinas egípcias respeitáveis e pensa em um dia escrever a sua biografia para mostrar o quão honrada pode ser a vida de uma bailarina. Revelou também que não teme a ascensão islâmica na política, desde que seja para melhorar a vida dos cidadãos. Ela inclusive apoiou a iniciativa do conhecido islâmico Sheikh Hassan, de recolher doações dos egípcios mais abastados para que o Egito não dependesse de nenhum auxílio americano. Então a diva resolveu que doaria todo o faturamento de um dos seus trabalhos na TV, ”Al Basha Walidah” ​​(A mãe de um Pasha) e mais uma quantia extra para colaborar com a causa, e gostaria muito que os países árabes vizinhos também se sensibilizassem! Não tem nenhuma intenção de renunciar a sua carreira para usar o “hijab” (vestimenta islâmica), diz que ainda é muito jovem e tem muito a acrescentar a dança. E quando finalmente decidir parar de dançar, quer abrir a sua própria escola…

Com a minha influência e reputação terei milhares de aprendizes e passarei a nossa arte adiante, diz ela.

E por essa enorme contribuição como figura pública, um carisma inquestionável e uma dança muito forte e marcante, Lucy fecha com chave de ouro o quadro das bailarinas antigas. E todas as bailarinas que surgirão depois dela já são consideradas atuais. Nomes como Dandash, Dina e Randa Kamel continuam contando essa história em tempo real e definem o cenário da dança atual.

Fonte: http://www.albawaba.com/

E como eu prometi, agora temos um estudo completo da herança deixada pela Era de Ouro para a Dança Árabe. Espero ter contribuído para o estudo de vocês, cedendo parte da minha pesquisa para o espetáculo Zaghareet 2013 que contará tudo isso em forma de dança! A minha intenção foi criar textos bem objetivos para que qualquer pessoa, do meio ou não, pudesse embarcar nessa viagem. Mas a verdade é que na íntegra, o meu estudo  foi muito mais amplo e algumas informações não foram relatadas aqui para não perdermos o foco e não ficar cansativo. Mas eu não poderia deixar de dizer que sabendo um pouco mais da vida pessoal desse time de estrelas, tenho ainda mais orgulho de fazer parte de uma das gerações e povos que se apaixonaram pela Raks. Dança que eu me dedico há 11 anos, que me surpreende e me encanta a cada dia.

Essas pessoas fizeram a diferença, gente! Não só trouxeram mais romantismo e poesia para a sua época, como conseguiram inspirar gerações e gerações de bailarinas (os) e continuam sendo uma fonte inesgotável de estudo. Fizeram com que todos entendessem a Raks el Sharq como profissão e como arte, este pra mim foi o maior legado da era dourada. E é isso que não podemos deixar ficar esquecido enquanto apreciadores, estudiosos, orientadores, divulgadores e viabilizadores desta arte. Acredito que quanto mais abordarmos este tema, entenderemos melhor a dança de hoje, com todas as suas influências e ramificações. E que esta é uma arte que sofreu e sofre modificações todos os dias, a medida que mais povos e culturas se encantam e emprestam os seus sentimentos para desenvolver o estudo da dança que saiu do Leste para o mundo. Mas acredito também que existe uma essência inabalável e que ela não pode ser perdida. E é por isso que voltar no tempo é preciso, e se faz necessário, em todos os cantos em que se estude Dança Árabe*. Porque para saber para onde vamos, temos que saber de onde viemos.

* Depois de muito pesquisar e debater com amigos e parceiros, entendo que Dança Árabe seria a expressão mais adequada para definir o estudo da Raks el Sharq (Dança do Leste, Bellydance, Dança do Ventre e porque não, Dança Egípcia?) e do Folclore Árabe (os costumes e tradições do povo árabe). E essa é a forma que eu me refiro a arte que escolhi como ofício!

Nos tornamos parte da História quando construimos a nossa pensando em fazer a diferença de alguma maneira Lis de Castro

FIM