Ensaio para os 18!


Contemplada pela maioridade na dança
Honro o meu passado
E tudo o que me trouxe à este presente gentil

Os sonhos vividos lindos
Estudos cheios de curiosidade e poesia
E a serenidade de saborear cada despertar como iguaria

A espera de uma quimera, aprecio:
A aluna apaixonada,
A bailarina em todas as suas fases,
A professora cheia de vontade,
A coreógrafa e a criatividade…

A coordenadora esforçada,
A facilitadora que sonha
Nos eventos, a organizadora                                                                        que – emocionada – os acompanha

Por fim um ofício…
Que dentre as suas mais diversas faces
Traz novos ares!

Evolução em muitos campos,
Transformação em outros tantos.
 
Redescobrimento a todo momento,
Curando e unindo mulheres
Através da magia do autoconhecimento.

Laços de afinidade construídos além desse tempo!
E quando digo que a dança é a minha vida,
É porque desde que se tornou parte de mim
Ela me leva adiante e tudo me revela com sábia demora…

Colore a minha existência, me ilumina
E ainda vem com trilha sonora,
É amor a toda hora!

No mundo de bailarina,
Onde é muito comum se ouvir:
Não Posso, Tenho Ensaio!
Faço agora um ensaio especial
Aqui, dentro de mim 

É meu corpo, meu templo, minha história!
Nada se apaga, é registro, tem memória…

Meus sentidos, meu prazer em pleno ser.
Não existe nada nesta dança que eu não queira conhecer…
Não sou egípcia, mas queria ser!
Só pra entender de onde vem tanto sentir, tanto saber.
Rimando com simplicidade tudo o que vi,
Celebro a alegria de viver pra ti!

Lis de Castro

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Post (empo)


Para conservar a qualidade dos artigos e fazer jus ao objetivo do blog, que é colecionar meus pensamentos e estudos acerca da dança, as publicações serão mais espaçadas: ao sabor da minha paixão e vontade! Seguindo o conselho de uma grande amiga e antiga blogueira, Lory Moreira.

Dessa forma tenho um tempo maior para dedicar às pesquisas e para que as palavras descansem, ganhem forma, virem poesia. Já que esta sempre será para mim uma ferramenta de estudo, um lugar bacana para visitar. Porque independente de artigos publicados eu estou sempre por aqui, organizando as ideias. Algumas eu partilho de forma privada, com quem me solicita ou quando considero especial para alguma bailarina, outras eu compartilho por achar importante. E assim, fico!

Mas se passar por este espaço, te convido à fazer um passeio despretensioso… E e se, por algum acaso, se entreter em leitura ou desembaraço… Curta, comente, compartilhe! E ficarei ainda mais feliz pelo que faço.

Visto que os blogs deram lugar aos vlogs (super consumo, adoro, curto, comento e compartilho!) e se encontram em desuso para muitos, eu ainda me utilizo dessa moda antiga. Porque adoro ler e escrever artigos e tenho apego por estes cantinhos de erudição.

Se você é como eu, seja muito bem vind@ e beijo no coração \o/

Estudos Baladescos


POVO

Camponeses que migraram de pequenas cidades do Egito para o Cairo em busca de melhores condições de vida. Estas pessoas vivem na cidade grande há mais de 100 anos, umas estudaram e se formaram nas mais diversas profissões e outras se tornaram grandes comerciantes. Mas este povo nunca se esquece da sua cidade natal e sempre sonha em um dia retornar para a sua terra, para “el baladi”.

E o que é mais sagrado para o povo baladi?

O respeito. Respeitar e ser respeitado por todos sempre. Por isso as mulheres baladi não dançam em público, para não ir de encontro as suas tradições. Mas elas dançam nas festas de família onde o Awwady é tocado de forma muito peculiar pelos músicos, que embalam – de maneira bem gradativa – aquele festejo.

MÚSICA

A música baladi de raiz é o Awwady, que tem uma métrica bem específica, veja:

Taksim – Improvisação melódica de apenas um instrumento, geralmente o acordeon (antigamente era o mizmar, flauta folclórica, e nas composições mais atuais a Nay, flauta de bambu, e o violino).

Me-atta – Jogo de pergunta e resposta entre instrumentos melódicos e percussivos.

Magroug – Entrada do ritmo Maksoum (DUM TÁ TA DUM TÁ), a música está completa – ritmo e melodia se estabelecem.

El Tett – Quando a música faz pequenas pausas com sons de TA, TE, TI.

Falahy – De volta às raízes, o ritmo dos falahin (camponeses).

Taksim – Nas composições mais tradicionais, a música retorna para a improvisação melódica.

Solo de Derbacke – Nas composições mais atuais, a música finda de forma percussiva.

Já a música baladi tocada no Cairo, fala do cotidiano desse povo e todas as suas peculiaridades. Um povo muito hospitaleiro, pessoas de classe baixa – o que não quer dizer pobre de cabeça ou de criatividade > Galabia é baladi! O homem que canta shaabi é baladi! Baladi significa “minha terra”, na gíria tudo que é exagerado, e Shaabi significa “folclore”, na gíria “o novo baladi”.

Para percebermos a diferença entre a música baladi cantada e a instrumental é só assistir aos vídeos de Randa Kamel, que sempre traz um momento “baladesco” para os seus shows.

Cantores Baladi Antigos (Década de 50 à 90):

  1. Bradreya el Said – Cantora de Mawal (improviso cantado)
  2. Mohamed Taha – Cantor de Mawal (improviso cantado)
  3. Houreya Hassan – Men Hob Fek Ya Ghari
  4. Mohamed Abdl Motaleb – Wada’ Hawak
  5. Ahmed Adaweya – Bent el SultanMawal Ah Ya Zaman e Salametha Om Hasan
  6. Shaafika – Ram4 3eano e  Ana We 2lby
  7. Fatme Serhan – Music Of The Fellahin e Taht el Shibbak

Cantores Baladi Atuais (De 2000 para cá):

  1. Aminah – Bishwesh Alayah
  2. Hakim (Nazra) – Halawet RoohMatakhodsh Ala KedaShofo e Ya Shoq
  3. Saad Shghayer – El Enab, El HantourHatgawez e Welad El Balad
  4. Mahmoud el Leisy – Enta Ya EntaSouq El Banat e El Bet El Gamda
  5. Ahmed Sheba – Ah law le3ebt ya zahr e Ely Meny

FIFI ABDO – A VERDADEIRA MAALEMA (Mulher Baladi Experiente)

E o que é Mahraganat?

É um tipo de música e dança de uma classe muito pobre de tudo (de dinheiro e de conhecimento), mas hoje é febre no Egito. Mas, para Gamal, não tem a personalidade egípcia é uma grande (con)fusão. De difícil entendimento até para quem executa, as letras também são bem difíceis de traduzir, até para os tradutores mais experientes.

Mas, observem que neste vídeo a Amina está vestida de noiva (aroussa em árabe) e fala em “Mahragan” (festival). Segundo o professor Ahmed Elswify…

“Para a maioria de baixa renda do Egito, os casamentos são a principal fonte de entretenimento em grupo, celebrados como festas em ruas fechadas e apertadas, decoradas com tapeçarias arabescas e repletas de luzes coloridas e sons.

Você não vai ouvir cânticos românticos nesses encontros; Nos bairros populares densamente habitados do Cairo, as festas de casamento são mais parecidas com raves. A música é uma batida sintética crua, bordada com mostras de derbake sincopadas e repetições eletrônicas.

As vozes dos jovens, de calças jeans apertadas, são auto-ajustadas à beira de um agudo metálico na mesa de mixagem. Em poucas horas de um grande casamento, os clipes gravados por celulares circularão na internet; a fama para alguns desses cantores, pode ser apenas um upload do YouTube. A música é chamada mahragan (festival ou carnaval em árabe). “Como uma palavra colorida”, que as pessoas usam como gíria para falar de algo extravagante, alto, animado e, às vezes, extremamente bagunçado.

A maioria das letras das músicas mahragan não são claras, com muitas metáforas e significados misteriosos em relação a detalhes muito pequenos da cultura, é como se a levada fosse mais importante do que as palavras em si.” Mas tendo em mãos a tradução de algumas delas, percebe-se um forte traço de protesto e apelo – muito parecidas com as músicas de outros guetos ao redor do mundo.

DANÇA BALADI

É o estilo mais importante da Dança Oriental, é a base de tudo!”. Uma dança que traz a essência do povo egípcio, sempre muito alegre e colorido. Então, uma bailarina, quando vestir uma galabia e amarrar um lenço na cintura, deve se lembrar de revelar a sua mais brejeira essência. Trazendo para a sua dança toda a simpatia e criatividade do povo baladi que dialoga, e muito, com a nossa cultura brasileira.

E Independente de ser Awwady, Baladi, Shaabi ou Mahraganat, a ideia é se  divertir. E com um pouco de estudo dá pra sentir o sabor de cada estilo e sua forma peculiar de dançar. A gradação do Taksim Baladi, o humor arrastado do Baladi, os trocadilhos do Shaabi e o som contagiante do Marhagan.

CURIOSIDADE

São também Danças Baladi:

  1. Raks el Meleah – A dança do véu enrolado
  2. Raks Shamadan – A dança do candelabro
  3. Raks el Assaya – A dança do bastão (que dependendo da região pode ser baladi ou said > Turbante = Said/ Echarpe e Chapéu = Baladi).

Beeeeijos brejeiros \o/

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Labaneando


 

laban

1879-1958

 

Segundo a teoria do húngaro Rudolf Laban, que se auto-intitulava “artista-pesquisador” do movimento, “a dança é um meio de expressão criativa, é o exercício da vida vista e praticada que nos conecta com a fonte da existência”. Sendo assim, as pessoas que trabalham com base na sua metodologia, entendem que a arte (no caso a dança), não é um fim em si, mas um potente veículo de transformação e expressão do bem mais precioso que o ser humano possui: SUA CRIATIVIDADE.

 

 

Para ele, “gesto e postura não mentem”, já as palavras podem mentir e o fazem. Dessa maneira, sua teoria se baseia na harmonização de princípios, no equilíbrio de opostos. Recolher por espalhar, forte pelo fraco, largo por estreito, curvo por reto, ação por reação, luta por co-operação, desequilíbrio por equilíbrio, assimetria por simetria, todos equilibrando uns aos outros. Eis o que dá sentido ao movimento, sendo assim em constante renovação. Tais teorias, sobre o movimento e a coreografia, estão entre os fundamentos principais da Dança moderna e fazem parte de abordagens de composição da Dança contemporânea.

É importante não só a trajetória que o corpo faz no espaço, mas a qualidade do movimento no percurso

O movimento aos olhos de Laban, “é um processo constante de contínuas mudanças, mas que tende a formar padrões singulares”. E assim, na primeira metade do século XX, ele desenvolve as suas teorias e cria uma espécie de gramática do movimento. E já que este, como a linguagem, é portador de sentimento, o seu sistema nos auxilia a observar, analisar e até descrever o movimento, sem contudo, pretender ser um valor absoluto. É um sistema aberto à diferentes interpretações, reconstruções e experiências.

Sua teoria é complexa e muito vasta, a pretensão deste artigo – então – é trazer apenas alguns conceitos chaves que possam nos ajudar a iniciar algumas práticas segundo os ensinamentos de Laban. No sentido de se observar, desenvolver e compreender os próprios movimentos, buscar unidade entre a gestualidade e as intenções psíquicas, desenvolver sutileza, nuances, variabilidade gestual e expressividade.

Em sua metodologia procura-se estar atento, curioso, às diversas manifestações de movimento, diversos tipos e estilos de dança, corpos diferentes, atividades diversas, enriquecendo o nosso olhar e ampliando a percepção entre corpo – esforço – forma – espaço – ritmo.

Dentre estes, falaremos sobre o ESFORÇO e o ESPAÇO. Que já nos garantem um estudo riquíssimo sobre a intenção qualitativa, criando e obtendo sentimento em quatro fatores do movimento e o trabalho de descrição do corpo para desenvolvimento dos movimentos através da área envolvente.

ESFORÇO

Enfatiza as qualidades do movimento, o ritmo dinâmico, a motivação interna/externa que aparece na escolha do movimento. Nesta categoria experimenta-se e reflete-se sobre como o indivíduo se move em relação a 4 fatores básicos: peso, tempo, espaço e fluência, isoladamente e em suas múltiplas combinações.

 

QUALIDADES+DO+MOVIMENTO+SEGUNDO+LABAN_

Os parâmetros em que se baseia são de movimentos como respiração, repouso, esticar-se, levantar-se, etc. Movimentos que fazemos de forma automática, mas que podemos tomar consciência deles, especialmente no caso de profissionais que utilizam o corpo para expressar seus sentimentos internos.

– uma atitude relaxada ou uma atitude enérgica, relativa ao peso;

– uma atitude linear ou uma atitude flexível, no espaço;
– uma atitude curta ou uma atitude prolongada, frente a tempo;
– uma atitude liberta ou uma atitude controlada, frente à fluência.
A partir de um repertório básico de ações (atrelado as modalidades de peso, tempo e espaço, e suas possíveis combinações, Laban desenvolveu uma leitura para as qualidades de movimento (clicar nos links abaixo):
– ação básica para uma atitude de luta
firme (forte), súbita (rápida) e direta. SOCAR;
-ação básica de uma atitude indulgente
suave (leve), sustentado (lento) e flexível (indireto). FLUTUAR;

Conforme variamos a modalidade em “socar”, novas ações surgem:

-Se mudarmos o elemento Peso
suave (leve), súbita (rápida) e direto. PONTUAR.
-Se substituirmos o elemento Tempo
firme (forte), sustentado (lento) e direto. PRESSIONAR;
-Se substituirmos o elemento Espaço
firme (forte), súbita (rápida) e flexível (indireto). CHICOTEAR.

Faremos agora o mesmo para a ação “flutuar”:

-Se mudarmos o elemento Peso
firme (forte), sustentado (lento) e flexível (indireto). TORCER;
-Se substituirmos o elemento Tempo
suave (leve), súbita (rápida) e flexível (indireto). SACUDIR;
-Se substituirmos o elemento Espaço
suave (leve), sustentado (lento) e direta. DESLIZAR.
                                                                    

Mais fatores a serem considerados sobre o PESO:

a) Força de gravidade – para que o corpo se mantenha na posição vertical e necessário que se exerça uma força em direção para cima e igualmente em direção para baixo.

b) Força cinética (ou energia) que é necessária para mover o corpo no espaço.

c) Força estática (ou energia) que e exercida quando uma posição é mantida em um estado de ativa tensão muscular. Esta força não é para mover o corpo e sim ser mantida no corpo. Esta força é sentida como se uma resistência interna fosse acrescentada ao movimento.

Mais fatores a serem considerados sobre o TEMPO:

a) A duração processa-se num período continuo de muito curto à muito longo;
b) A velocidade processa-se num período continuo de muito rápido à muito lento;
c) A velocidade não é constante no movimento. Durante um movimento há
momentos de aceleração e desaceleração.

d) A pausa é o período de parada da ação e/ou movimento. A duração da pausa
pode ou não ser medida por unidades de tempo proporcionais a dos
movimentos que introduzem e concluem o período de parada.

ESPAÇO

Situa a pessoa no mundo relacional. Esta categoria inclui explorações da esfera pessoal de movimento (cinesfera*): tensões dimensionais, planares, diagonais ou transversas e das formas geométricas. Descreve como o corpo de um indivíduo se desloca para viajar através da área envolvente.

Cinesfera é a esfera dentro da qual acontece o movimento. É o espaço em volta do corpo do agente no qual, e com o qual, ele se move. O centro dela é o centro do corpo do agente, e/ou o corpo todo do agente é a locação central da cinesfera.

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Cinesfera

 a) As seis direções dimensionais são os elementos mais básicos para a orientação espacial: Frente, trás, direita, esquerda, cima, baixo.

b) As oito direções diagonais:
• Alto-direita-frente
• Baixo-esquerda-trás
• Alto-esquerda-frente
• Baixo-direita-trás
• Alto-esquerda-trás
• Baixo-direita-frente
• Alto-direita-trás
• Baixo-esquerda-frente

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 c) As doze direções diametrais:
• Direita-alta
• Esquerda-baixa
• Esquerda-alta
• Direita-baixa
• Direita-frente
• Esquerda-trás
• Esquerda-frente
• Direita-trás
• Frente-alta
• Trás-baixa
• Trás-alta
• Frente-baixa

 

PLANO ESPACIAL

É a combinação de duas dimensões. Os planos espaciais são visualizados quando é feita a ligação dos extremos alcançados pelas doze direções diametrais. No plano, uma das dimensões é a dominante (principal) e a outra dimensão é a secundária. Laban denominou estes planos de:
PLANO DA PORTA: Neste plano a dimensão de comprimento que combina as
direções cima/ baixo é a dominante. A dimensão de amplitude que combina
as direções lado/ lado, é a secundária. No plano da porta é possível
observar e experienciar a postura do eixo vertical (cima e/ou baixo) e a
capacidade da coluna de dobrar lateralmente.
PLANO DA MESA: Neste plano a dimensão de amplitude que combina as
direções lado/ lado, é a dominante. A dimensão de profundidade que
combina as direções frente/ trás é a secundária. No plano da mesa e
possível observar e experienciar movimentos que se abram e se fecham em
relação ao corpo e a capacidade da coluna de torcer.
PLANO DA RODA: Neste plano a dimensão de profundidade que combina as
direções frente/ trás é a dominante. A dimensão de comprimento que
combina as direções cima/ baixo é a secundária. Neste plano e possível
observar e experienciar movimentos com os membros superiores e
inferiores e a capacidade da coluna de arquear e arredondar, para frente e
para trás.
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EIXO ESPACIAL

Eixo é uma linha imaginária que cruza um ponto central, com conteúdo direcional de tensões opostas. Um eixo divide um corpo em partes aproximadamente equilibradas.

Para cada dimensão espacial há o eixo correspondente:

– Dimensão de comprimento – eixo vertical;
– Dimensão de amplitude – eixo horizontal;
– Dimensão de profundidade – eixo sagital.
– Existem também outros eixos, tais como eixos diagonais, diametrais e
transversais.

Transpondo a metodologia de Laban para a Dança Árabe – Projeto Aulas Online com Lulu Sabongi

Aula 1 – Plano da Mesa (Horizontal)/ Movimentos Sugeridos: Deslizamento de quadril lateral, frente/ trás e diagonais, didática meio redondo pela frente e por trás/ Consciência de: Base dos pés e Direcionamento em Asterisco.

Aula 2 – Continuando com o Plano da Mesa (Linhas Horizontais e Diagonais)/ Movimento Sugerido: Oito para Frente e Oito para Trás – Plano da Porta (Frontal)/ Movimentos sugeridos: Suspensão de Crista Ilíaca e, misturando os dois planos (Mesa e Porta), Oito para cima e Oito para Baixo, / Consciência de: Base dos pés, Centro de Força (core) com Recrutamento da Musculatura Abdominal.

Aula 3 – Plano da Roda (Sagital)/ Movimentos sugeridos: Encaixe (elevação de púbis) e Desencaixe (abaixamento de púbis ou Báscula Pélvica e Redondo Equilibrista misturando os três planos (Mesa, Porta e Roda) e Ondulação ou Oito Sagital/ Consciência de: Anatomia e suas Nomenclaturas.

Beeeijos curiosos \o/

Referências: http://www.wikidanca.net/wiki/index.php/Rudolf_von_Laban/ http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/284892/1/Rengel_LeniraPeral_M.pdf/ http://turma1angelvianna.blogspot.com.br/2010/08/introducao-analise-de-movimento-laban.html

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Mowashah(at)


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Mowashah, no singular, e Mowashahat, no plural. Pensa-se que o sentido real da palavra vem do sírio mušaḥta (ܡܘܫܚܬܐ) que significa “ritmo” ou “verso de um salmo” e que as mais antigas teriam sido influenciadas pela música sacra síria, chegando a reter refrões em sírio. Alguns relacionam a palavra com um tipo de cinto ornamental de volta dupla, o wišaḥ, como se as estrofes fossem os objetos pendurados de um cinto.

A forma poética, escrita em árabe clássico, consiste em cinco estrofes ( isca ) de quatro a seis linhas, alternando com cinco ou seis refrões ( qufl ); cada refrão tem a mesma rima e metro, enquanto cada estrofe tem apenas o mesmo metro. A última estrofe, a carja, parece ter sido composta independentemente do restante da poesia. Geralmente são escritas em ibero-românico (apenas 1/3 é escrito em árabe clássico) e apesar de ser apenas o trecho final, é o que desperta mais interesse acadêmico. Estes trechos podem descrever o amor, o louvor, os prazeres de beber, mas também o ascetismo (disciplina e autocontrole estritos do corpo e do espírito). No Norte da África os poetas ignoravam as regras rigorosas da métrica árabe, enquanto que os poetas do Leste as seguiam.

Conta-se que um poeta árabe do qual não sabemos nada, pegou um desses poemas e o transformou em canção, dando-lhe uma estrutura estrófica. Isto significou uma novidade radical na lírica árabe, que implica em três aspectos: o uso dos versos curtos, as rimas que vão alternando a cada estrofe e o uso das carjas. E a música se classificou Mowashahat justamente pela métrica poética, com idioma mais sofisticado do que na música folclórica, mas mantendo a forma dos versos cantados – tendo um solista e um coro que repete o refrão.

A Música Mowashah

É encontrada em quase todos os países árabes e portanto tem mais de um estilo, o que a torna difícil de se entender e estudar. A mais conhecida é a andalusina (que vem da Andaluzia), originária da Espanha Medieval, considerando aqui o período em que o Império Otomano dominou a península Ibérica.

Os instrumentos musicais são os mesmos da música clássica: alaúde, qanun, kamanja (violino), daff e o derbacke utilizado de forma mais sutil do que na música popular. Os ritmos utilizados vão de 2/4 até 48/4 tempos, sendo o mais conhecido para a dança o Samai Thaqil de 10/8 ou 10/4. A palavra Samai é de origem turca derivado de Saz Samai, uma espécie de alaúde utilizado na música clássica turca, e Thaqil quer dizer pesado.

muwashahat-rhythms-2-cut - Samai Thaqil

Samai Thaqil

A Dança Mowashahat

Em 1979 Mahmoud Reda foi convidado a compor coreografias para a música clássica no estilo mowashah. Utilizando sua própria imaginação a partir do contexto da música clássica palaciana, talvez inspirado pelas danças clássicas persas e turcas, Reda estruturou uma sequência de combinações e coreografias focadas na transição espacial, braços, giros e arabesques, de forma a traduzir a condição lírica das composições.

As coreografias de Mahmoud Reda tornaram-se um marco histórico na dança egípcia, especialmente as de Mowashahat. O que acabou sendo considerado um estilo de dança a partir de sua estréia. Copiada por tantos outros coreógrafos e professores, o Mowashahat é na verdade uma mescla delicada entre passos do ballet clássico, da dança persa com a dança oriental unidos pela genialidade de Reda. Abaixo “Garib Al Dar”, trazida no post anterior com Farida Fahmy e aqui, dirigida pela Nesma em 2011 (Nesma foi integrante da Reda Troupe na sua formação contemporânea).

Os figurinos foram desenhados pela então primeira bailarina da companhia, Farida Fahmy. Farida desenhou uma composição distante do convencional para dança do ventre, mais conectada ao figurino antigo embora com toque de fantasia e praticidade artística. Com pantalonas largas, camisa de mangas bufantes, colete de veludo e casquete sobre a cabeça. Figurino que permitiu a apresentação do espetáculo durante o Ramadã. As cores escolhidas em tom pastel para se adequarem mais ao estilo musical, lírico e suave (Isis Zahara – 2014).

Das coreografias atuais criadas neste estilo, a música Lamma Bada Yatathanna é a mais vista – por ser, sem dúvida, a mais conhecida. Gravada pela Fairouz – a “Roberto Carlos libanesa” – e nos vídeos a seguir, respectivamente interpretada por:

Bailarina: Andalee/ Cantor: Abdel Karim Ensemble

Bailarina: Simona Jović/ Cantora: Lena Chamamyan

Vídeos de Workshops para Estudo:

O primeiro com ela, Farida Fahmy, que emociona pela classe e elegância que só melhoram com o passar do tempo. Tudo parece muito simples quando ela executa, porque ela é naturalmente rebuscada. Uma grande inspiração!

O segundo com a nossa mestra brasileira, Lulu Sabongi! Que para mim tem esse estilo muito dentro do seu coração. Ela me faz querer aprender Mowasharrat só para me sentir assim, uma criança feliz que dança com e de verdade!

E o terceiro com Tarik, o nosso príncipe! E um dos melhores professores deste estilo aqui no Brasil! Que faz lindos duos clássicos, contendo segmentos (passos) do Mowashahat, ao lado de bailarinas como Mahaila el Helwa, Kahina e Nur.

E o quarto e último com o criador, Mahmoud Reda, e toda a sua sabedoria! Chega dá vontade de chorar, só de pensar que este bom velhinho foi o responsável em levar esta dança para um lugar onde os egípcios possam exercê-la com muito orgulho e respeito. Onde sua arte, o seu legado, tem conteúdo para essa e muitas outras vidas dançantes.

Beeeijos emocionados \o/

Conta, Farida!


Reiterando o post que escrevi há tempos atrás sobre esta grande bailarina, hoje a trago novamente com a minha paixão e percepção renovadas. Lá escrevi sobre a sua parceria com Mahmoud Reda através da história de vida deste grande coreógrafo. Agora a abordagem muda, sendo contada através da trajetória de Farida. Com base neste vídeo produzido  por Keti Sharif, informações tiradas do site Farida Fahmy e organizados aqui numa linha do tempo bem especial. De forma que possamos entender a dança através do seu ponto de vista, cheio de identidade e peculiaridades, e o quanto ela pode contribuir com os nossos estudos sobre a dança egípcia.

Farida Fahmy inspira gerações de bailarinas em seu país e no estrangeiro. Movida por um sonho, o espírito pioneiro e visionário de Mahmoud Reda, eles elevam o status da dança egípcia a nível mundial e a fazem ser reconhecida como arte. Ele como fundador e ela como co-fundadora da Reda Troupe.

De alguma maneira eu sabia que seria bailarina, desde que tinha 7 anos. Eu não entendia o que era a dança e o seu contexto social no Egito. Nesse tempo a dança não era arte, os egípcios tinham uma relação de amor e ódio com a dança, havia uma ambivalência a respeito da dança e eu não sabia nada disso, eu só queria dançar. (Farida Fahmy – 2011)

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Farida não tinha necessidade de ser bailarina, era universitária, e como teria educação poderia fazer qualquer outro trabalho. Mas, ela se dedicou a dança, porque era o que ela amava. E a partir deste dia a dança ganhou uma reputação melhor no Egito e nos países árabes. Podia-se escrever “bailarino (a)” no passaporte, antes isso não era possível. (Mahmoud Reda  – 2011)

Segundo Farida Fhamy, no seu artigo sobre o impacto artístico da Reda Troupe, existiram (e ainda existem) grupos de dança que se apresentam nos principais teatros do Cairo e da Alexandria, e de muitas outras cidades, para as elites e para o público intelectualizado. Mas, a dança funciona como pano de fundo em dramas e musicais, nunca é uma parte importante da peça, nem apresentada integralmente no desenrolar das estórias.

Com o fenômeno da Reda Trupe, a dança ganha uma abordagem única no Egito. Assim, pela primeira vez na história recente do país, uma dança teatral de grupo foi criada. Onde a dança aparece na primeira linha e todas as outras artes como a música, o canto e o estilismo eram importantes elementos de apoio.

Durante 25 anos, eu trabalhei lado a lado com Mahmoud Reda durante seu desenvolvimento criativo. Era sua aluna, primeira bailarina e parceira de dança. Estar próxima dele e atenta enquanto ele coreografava suas danças, me permitiu entender seu método e desempenho artístico. Esse longo caminho me forneceu informação e experiência. E a conclusão de meus estudos, no Departamento de Etnologia da Dança na UCLA, me trouxe uma perspectiva acadêmica para minhas experiências anteriores.

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Farida Fahmy Costumes

Como uma jovem que foi criada para saborear tudo o que era egípcio, habilidades de estilista e toda uma experiência adquirida na Reda Troupe, ela também criava figurinos de dança. Em 2014 ela produziu um e-book com mais de 80 projetos de figurinos para inspirar figurinistas ao compromisso de recriar indumentarias fiéis a cada estilo folclórico. E eles estão disponíveis para compra aqui. Olha que maravilha!

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Mudanças consideráveis ​​ocorreram no Egito, influências econômicas, sociais e externas trouxeram muitas transformações no que os egípcios usam hoje em sociedades urbanas e rurais. Meu ponto de referência para a maioria desses projetos é – aproximadamente – a primeira metade do século XX. 

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Trechos do livro A Filha do Egito’ por Marjorie Franken… 

A coreografia de Mahmoud Reda introduziu os egípcios a um novo conceito no uso do espaço… Ele conhece as perspectivas e as dimensões do palco. Fazendo uso de pontos de ênfase e justaposição em sua coreografia, ele foi capaz de realçar os diferentes humores que queria evocar. (Fahmy 1987: 28)

 

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Farida Fahmy e Reda Trupe

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Om Khalthoum em concerto para o Rei Faruk

Nos anos 60 e 70, Farida tinha a mesma fama, reconhecimento e status público que a lendária Um Kulthum. Elas eram consideradas talentos egípcios autênticos e ambas combinavam suas raízes com sofisticação. Amina al Sharif cita que elas eram vistas pelos egípcios como artistas que tinham ideologia, patriotismo e inovação.

 

                                                                         

ESTÉTICA DA DANÇA EGÍPCIA

A estética da dança egípcia está ligada ao senso de beleza dos egípcios – frequentemente encontrado nas artes. Nossa dança compartilha muitas características de outras artes tradicionais e a vida em geral, a dança faz parte da nossa cultura. A dança reflete o temperamento egípcio e sua principal característica é a improvisação.

Improvisação é o “estado do momento”, é o que dá longevidade para a dança; se as formas fossem estáticas, elas já teriam morrido. A improvisação na dança é pessoal e precisa de flexibilidade, não de regras rígidas. 

Os etnologistas (que estudam o fatos, buscando uma apreciação analítica e comparativa das culturas e das civilizações) parecem querer identificar as danças egípcias de forma quantitativa ​​- como peças de museu. Mas as culturas, as pessoas e suas artes, incluindo a dança, devem ser capazes de evoluir como quiserem. A dança egípcia evoluiu muito no último século e continua a evoluir hoje na sociedade moderna.

No Egito há dois tipos de dancarinos: Os Ghawazi, da sociedade rural no Alto Egito, e os Bellydancers, da sociedade urbana. Os movimentos Ghawazee são completamente improvisados ​​e envolvem movimentos corporais mais baixos, repetitivos e terrestres, com uma sensação viva. Bellydancers dançam com bandas tahkt e improvisam para a música, especialmente para o taqsim; Por exemplo, na sua entrada existe o contato com a banda, tendo compreensão e feedback entre eles e, em seguida, eles apresentam o taqsim. Com o passar do tempo, veio o formato espetáculo, onde os bailarinos começam a trocar de roupa duas, três vezes durante o show, e a dançarina e as trupes também começaram a usar coreografias, para criar um ofício mais teatral.

Taqsim significa “improvisar”. Instrumentistas de Nay ou qanum sabem qual sequência (makan) segue dentro da música e improvisa a partir daí. Oum Kolthoum usou sua genialidade para improvisar enquanto cantava e muitas vezes repetia frases com sutis nuances emotivas e a frase assumia uma sensação completamente nova. Você precisa de um bom vocabulário para ser um improvisador de instrumento; se o músico não fosse rico em vocabulário, não seria capaz de improvisar. É o mesmo para a dança. Você só pode improvisar bem se conhecer bem a música e tiver um amplo vocabulário de movimento para expressar isso.

Se os bailarinos usam muitos passos, fica confuso; mas se eles se movem muito pouco, também não fica bom; como intérprete, você precisa encontrar uma linha fina entre os dois. Movimentos são uma parte essencial da dança, por isso a coreografia pode ajudar a articular as formas (composição de repertório corporal). O movimento locomotor para atravessar o espaço para dar à dança uma dimensão melhor é especialmente importante para o palco. A coreografia e os conjuntos de movimentos vinculados podem definir essas qualidades.

Nos anos 50, 60, 70 e 80, os dançarinos costumavam dançar com peças de orquestra egípcias clássicas muito sofisticadas tocadas por músicos talentosos. Na década de 90, a música se tornou mais genérica e as composições clássicas foram substituídas pelo estilo franco-árabe. Em comparação, a música pop egípcia de hoje é ingênua, primitiva e um tanto plana. Você precisa de uma boa música, para lhe dar riqueza e espaço para o seu movimento. A música contemporânea perdeu muito em dinâmica, embora de vez em quando haja uma boa música lançada. Por isso, é importante encontrar uma música que ressoe e permita as mudanças de movimento e emoção. Como a dança depende da música, sua dança será obviamente afetada por suas escolhas musicais. Pergunte a si mesmo – qual é a energia da música que você está usando para dançar? Use a energia que te evoca para inspirar sua dança.

As mulheres do Egito têm força e, embora nem sempre mostrem isso, ela está sempre presente. Isso vem na dança. O temperamento egípcio é uma parte importante da dança. Você pode aprender sobre o temperamento egípcio através de viagens, imersão, assistir filmes ou ler. Alguns dançarinos vão para o Egito, e vivem entre os egípcios – mas se viajar não é uma opção, você pode assistir filmes egípcios para estudar o movimento, como eles interpretam a dança, etc. Lendo livros traduzidos por autores Naguib Mahfous, Yusuf Idris, Ala al Aswany, tais autores também são úteis para entender o temperamento egípcio e sua aplicação às artes.

DICAS PARA BAILARINAS

A coisa mais importante quando se dança, é que você esteja se divertindo. Muitos dançarinos perderam a alegria na dança. O principal é expressar seu corpo no momento de entrar no espaço criativo. Aqui estão algumas maneiras que você pode trabalhar com a estética egípcia e criar movimentos dentro dela:

  • A mudança de peso é importante durante a dança; deve estar bem estabelecida ao dançar. Transferir o peso por completo, de modo que um lado fique firme e bem estabelecido para o outro poder fazer o que for necessário livremente.
  • Deslocamentos leves, se movendo apenas o suficiente para completar os movimentos ou passos de deslocamento. Não use os joelhos para locomoção de movimentos – pressione os dedos no chão (empurre com o calcanhar) para ajudar a impulsionar o movimento.
  • Os joelhos se movem de acordo com o movimento; Não comece sua dança com os joelhos dobrados. 
  • A força está na pélvis e permite que a gravidade trabalhe através de seu movimento. Libere sua pélvis! Sua pélvis toma a decisão para onde ir.
  • Mantenha os quadris debaixo de você enquanto você troca seu peso.
  • Mantenha sua postura e energia elevadas, mas a expressão é tranquila.
  • Preste atenção ao que seus braços estão fazendo; eles são uma extensão dos movimentos, seu acabamento e beleza. Mas eles são complementares, não os use muito (ou sem consciência), para sua dança não parecer desarrumada.
  • Para movimentos radicais de braço – assegure que o movimento vem do ombro e não do cotovelo. Lembre-se de que quando os cotovelos levam, o movimento está mais próximo do corpo.
  • Mantenha as pernas juntas para manter uma ampla gama de movimentos, quando as pernas estão separadas, suas possibilidades diminuem (a menos que seja proposital).
  • Use variações: Altere a velocidade, a direção, o círculo do quadril rolando para dentro e viajando na direção oposta, por ex. Tente diferentes combinações sempre! 
  • Certifique-se de girar olhando na direção que você está indo, para evitar tonturas.
  • Ao realizar sequências, existem 2 energias no trabalho. A primeira está se preparando para entrar em outro movimento, a segunda é o abandono por um breve momento. Pense nas emendas: O que é que te leva ao próximo passo?
  • Lembre-se que cada pequeno gesto tem seu valor e sempre termine o movimento.
  • Faça seus movimentos com prazer, com voluptuosidade.
  • Lembre-se sempre que você é a “personificação da música” – é a sua arte que dará forma à música, já que você a está dançando e o elemento principal é VOCÊ.

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“Cada passo deve ter seu valor… 
o público sente e entende isso.” 

Farida Fahmy

 

Beijos renovados \o/

 

 

 

 

 

Pintou Romance!


Me lembro do tempo (“a long time ago”) em que as músicas românticas árabes eram aquelas que as professoras usavam no início das aulas, para alongar ou aquecer, quando nem se sonhava em usá-las para a dança… na nossa cabeça elas não tinham os predicados para a cena, por serem muito lentas, ou repetitivas, ou sem impacto! Simplesmente não eram para isso. Mas, eis que surge Dariya Mitskevich com sua interpretação visceral das músicas do queridinho das habibas… Wael Kfoury! Entre suspiros, tudo muda de contexto e figura – ao menos assim foi para mim.

Quando vi este vídeo pela primeira vez (e foi este, não o do figurino amarelo, rs), me apaixonei por tudo que nele havia! A música, a bailarina, a leitura e o mundo se abriu em corações e rosas vermelhas. Me descobri romântica, apaixonada por todas as canções derretidas, que antes eu tentava buscar – de forma inconsciente – nas peças da Om Kalsoum – outro peso, outra medida.

Porque, diferente das músicas para tarab, as modernas românticas trazem muita leveza e uma fluidez corporal incrível, enquanto as tarabescas trazem peso e profundidade, outra viagem muito mais “cabeçuda” (vide post “Estudando Tarab…“). Mas, ainda assim, o romance moderno nos convida para rebuscar o simples, exercitar a criatividade e acreditem, não é fácil! Sair da zona de conforto, ouvir o que, a princípio, é repetitivo e identificar nuances e possibilidades diferentes de leitura, dá um delicioso trabalho. E, hoje, com as traduções ao alcance das mãos, temos o privilégio de entender o que diz os cantores apaixonados antigos e atuais, e nos enveredar no contraste das interpretações de um mutrib (sábio cantor) e de um mughanni (cantor pop). Um ótimo e maravilhoso exercício!

Falando em pop, depois do Wael mais dois entraram para a minha lista de paixões… Joseph Attieh e Nassif Zeytoun. Tem outros? Tem, muitos. Mas os três aqui citados formam a minha playlist suspirante! E as da vez, são…

Meus singelos romances dançados: Law Hobna Ghalta, Baddi YakMawhoum

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Interpretando Mawhoum de Joseph Attieh

Cantores e links:

1) Wael Kfoury
2) Joseph Attieh
3) Nassif Zeytoun
4) Fadl Shaker
5) Adham Nabulsi
6) Tamer Ashour
7) Hamaki
8) Diana Karazon
9) Yara
10) Elissa
11) Assala
12) Amira

Beeeijos enternecidos \o/

 

Sobre Paz


niver_2A paz é como
Aquele suspiro,
Leve e inocente,
Que a gente
Dá durante o sono.
Tem a leveza
De uma folha
De outono.
E a delicadeza
De uma bolha de sabão…

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…É a gostosa
Sensação
De quem
Termina a lição.
Ou encontra
Um bichinho
Perdido.
Ou visita
Um amigo
Querido…

 

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…Paz é
Andar
Descalço,
Onde tudo
É verdadeiro
E nada é
falso.

 

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…Onde tem paz,
Não tem criança
Pedindo esmola
Na rua.
Não tem poluição
Escondendo
A lua…

 

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…Paz é
Futebol sem briga.
Pic-nic
Sem formiga.
Cidade
Sem ladrão.
Não ter medo
De injeção…

800

 

 

…Vampiro
Sem dente.
O tristonho,
Contente.
Paz é
Colo de mãe
E abraço
De pai…

 

Outro dia,
Quietinho
num canto,
Olha só
O que eu
pensei:
A paz é
Tão boa,
Mas
Tão boa,
Que devia
Ser lei.

De Lalau

 

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SILÊNCIO (Só um minuto!)

Assim como do fundo da música
brota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
até que noutra música emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.

De Octavio Paz

Ubuntu o/

Construções de Ouro


Estudos da Era de Ouro, feitos por bailarinas de nacionalidades distintas, que nos embalam nessa atmosfera onde uma leitura musical sensível e uma bela expressão valia mais do que um vasto repertório corporal. Que trazendo para os dias atuais, nos convida a levar para a música movimentos que a expressem de forma mais simples, sem ser simplista, como nos é sugerido pelas bailarinas antigas.

Aradia Wynn atua em Las Vegas, Nevada, e é conhecida por preservar as raízes tradicionais da Dança Oriental, nos trazendo boas interpretações da era dourada. Neste vídeo, ela nos remete aos trejeitos de Samia Gamal em Raksat Kahramana.

Lory Moreira é baiana, daqui de Salvador, minha grande amiga, que tem tanta identificação com a Golden Age que considera a contemporaneidade inapropriada para o seu corpo. Em  Leylet Hob, sua dança é tão cheia de naturalidade e poesia que, fica fácil entender a sua colocação de que esta é a melhor forma de dançar de todos os tempos. Porque assim é para o seu coração, deixa ele sentir!

Katerina Shereen atua em Praga, na República Checa, e traz nesta performance de Raksat Leila uma bela fotografia do passado. Com uma plástica que lembra muito a Taheya Carioca, ela encanta. Tendo também como suas fontes inspiradoras as soberanas Samia Gamal, Naima Akef  e Suheir Zaki.

E há aquelas bailarinas que, apesar de não terem suas construções legendadas como retrôs, trazem em si algo de outro tempo e nos dão a maravilhosa sensação de pertencimento ao universo vintage. Pela atmosfera que eles criam com suas indumentárias (figurino, cabelo e maquiagem), pelas músicas e/ou interpretação que trazem e pela personalidade que as identificam com esta aura. Características muito presentes no estilo de dançar de: Nesrine, Stefany Garcya, Clara Ramalho e Esmeralda, elas trazem estes dourados, negros, rubros e verdes ares.

E ainda existem as bailarinas que são super contemporâneas, mas, que se permitem passear pelas paisagens antigas e nos trazer encantamento. Elis Pinheiro fez isso nos seus 10 anos… Era 2011, mas parecia décadas atrás… Lindos azul e dourado!

E, enfim, as coreografias! Que nos ambientam no pretérito, trazendo a harmonia entre bailarinas que se reúnem, para contar uma história embalada pela magia de reviver grandes momentos. Na sequência, os Grupos Raksa (formação de 2012) e Razi (formação de 2013) interpretando as Grandes Estrelas do Egito.

Beeeijos valiosos \o/